Por essa ninguém esperava e o próprio Paulo Coelho assustou, pois achava que levaria o “segredo para o túmulo”.

De acordo com um documento obtido pelo Arquivo Nacional, Raul Seixas teria entregado o amigo e parceiro musical Paulo Coelho na ditadura.

“Não tem a menor dúvida, hoje, após ver o documento, de que Raul o entregou”, contou o jornalista Jotabê Medeiros durante uma reportagem à “Folha” sobre o lançamento da obra “Raul Seixas: Não Diga que a Canção Está Perdida”.

Segundo autor, o cantor foi chamado para depor no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no ano de 1974. Na época, Raul prestou dois depoimento e, em um deles, pediu para que Paulo o acompanhasse.

Os depoimentos tinham como intuito falar sobre o conteúdo das músicas feitas pelos dois, durante a parceria do disco Sociedade Alternativa.

Raul teria ficado apenas meia hora na sala e ao sair, tentou transmitir uma mensagem para Paulo – que não entendeu.

O escritor foi preso, mas liberado no dia seguinte. Entretanto, enquanto voltava para casa foi abordado no táxi em que estava e novamente capturado e mantido em cativeiro por 2 semanas. As torturas, como já era esperado, aconteceram.

A matéria da Folha, Jotabê comentou que Raul evitava o contato com Paulo. “Raul evitou Paulo durante um ano depois do acontecido. Paulo não tinha convicção das coisas, não pensava nisso, estava amedrontado, como talvez esteja até hoje”.

Vale lembrar que Paulo já havia comentado sobre essa época à BBC Brasil, no mês passado.

“Os militares não entendiam as minhas músicas. Eles diziam ‘Quem são esses caras aí? Raul Seixas e Paulo Coelho. Alguma coisa está errada porque a gente não entende o que eles estão falando’. Então, chamaram o Raul para depor. O Raul era o cantor. Como diz o Elton John, ‘Don’t Shoot Me, I’m Only the Piano Player’ (Não atire em mim, eu sou apenas o pianista). Mas a eminência parda, o cara perigoso, o ideólogo era o letrista. Então eles me prenderam. Agora, tem que justificar uma prisão. Não acharam nada.

Quando eu estava preso oficialmente, fichado, com impressão digital, meus pais conseguiram mandar um advogado. Aí, me soltaram no mesmo dia e me sequestraram em frente ao aterro do Flamengo. Me arrancaram do táxi, me jogaram na grama, me botaram a arma. Eu estava entregue. Aí eu fui torturado, apanhei, essas coisas todas”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here